Essa semana, especialmente, cuidei de alguns documentos que precisava mandar para conseguir a tão esperada bolsa de estudos. Torçam por mim, para dar tudo certo e eu recebê-la!
Afinal, se ela não der certo, vocês serão atormentados por pedidos em diversos meios de comunicação pedindo, encarecidamente, alguns centavos pra financiar meus estudos aqui... haha. Já até preparei os boletos!
As pessoas deram um pequeno sumiço da Cité Universitaire. Os franceses foram viajar, a Bea (a amiga espanhola de quem fiquei mais próxima) voltou para Madrid, muitos viajaram. Ao mesmo tempo, o mexicano que morava no 1o adar mudou-se para o Oitavo Céu (hehe). Ele é muito bacana, mas fica geralmente no seu quarto e só o encontro na hora que ele sai para comer. Tenho me aproximado da Heidi, uma colombiana que estava viajando e voltou há pouco tempo, mora aqui no nosso andar. Muito bacana e prestativa. Ela, como eu, tem dupla nacionalidade e me ajudou em algumas coisas com a bolsa. Pudemos conversar melhor nos últimos dias - ela tem um caso amoroso com um suíço. Uma história que não deixa de ser bacana... Os dois se conheceram aqui na Suíça há 5 anos atrás, num curso de francês, no qual ele era o professor. Quase 30 anos mais velho, que é justamente o que mais a incomoda. Acabaram de romper a relação, o que deu brecha para conversarmos melhor. Pena que ela também partiu no final de semana. Foi visitar uma colega numa cidade vizinha, mas volta amanhã.
Ontem passei por uma experiência muito bacana. Outros dois colombianos, amigos de Heidi, estavam por aqui. Um pegou o violão, começou a cantarolar "Garota de Ipanema", tocou uns acordes, o outro começou a cantar... e assim fomos! Eles conheciam muitos clássicos da bossa nova e outras coisitas más!
E tudo isso justamente no momento em que tenho ouvido muita música brasileira e lido "Antonio Carlos Jobim - uma biografia", de Sérgio Cabral, livro que ganhei antes de vir para cá. É fato que eu sempre gostei da história da nossa música e sempre me interessei por sso, mas também é fato que, quanto mais se está longe do seu país de origem, mais se valoriza alguns de seus aspectos. Pessoalmente, não iria tão longe a ponto de chamar esta sensação de nacionalismo, mas simplesmente de identidade, o processo de identificação a partir de algum aspecto que lhe seja pessoal - a linguagem e os termos em português, o ritmo e a melodia, o refrão...
Afinal, a nacionalidade faz parte da identidade pessoal. Acredito que isto dependa, em certa medida, da escala de aproximação que possas ter com sua cultura (apegos ou desapegos com hábitos)... mas somente em certa medida. A nacionalidade tem seu peso com a identidade, principalmente quando se está fora do território.
Tenho bicicletado também. A prática de atividade esportiva, por aqui, é muito frequente. Com certeza, a paisagem daqui colabora - e muito - para essa prática, rs. Nadar é outra coisa ótima para fazer nesse lago.... ou, ao menos, até o clima esfriar (o que não vai tardar a acontecer!)
Hoje, com um tempo um pouco obscuro lá fora, não tenho muita coisa a fazer que não seja ler e ficar no computador. Gosto dessas atividades, mas confesso que fazê-las fechada num quarto sem ter muitas opções pode não ser o mais adequado...
E o que eu fiz no final de semana passado?
Primeiro de Agosto, feriado em comemoração ao tratado que transformou a Suíça em Confederação, há alguns séculos atrás. Sábado, feriado nacional, todo comércio fechado (aqui tudo fecha MESMO!). Passamos a tarde no lago, banhamo-nos. Voltamos pra casa, preparamos uma pizza, uma salada, acompanhado com vinho. Depois, pegamos nossas latinhas de cerveja e fomos ao rumo do lago. A partir das 22hrs, acontece o tradicional espetáculo de fogos de artifício, no lago. Um verdadeiro espetáculo. Parecia 31 de dezembro no Brasil. Calor, um monte de gente, todo mundo se dirigindo ao litoral, sorrisos nos rostos, beira do lago, fogos de artifício.


Depois continuamos a beber, e coisa e tal, e tal e coisa.... surge a vonade de ir ao banheiro. Como entrar num restaurante só para usar os toiletes não deu certo, seguimos em rumo ao hotel onde Ali, o turco, trabalha, na própria recepção.

Fotos em conjunto: Eu, Géraldine (suíça), Bea (a espanhola que partiu), Heidi (a colombiana que me ajudou nos documentos) e Christophe, um suíço.
E, só pra terminar a pergunta inicial do texto, vou deixar a deixa da resposta para um trecho da biografia de Tom Jobim.
Orquestra da Rádio Nacional, onde Tom Jobim trabalhou por algum tempo com Radamés Gnattali, um dos grandes maestros da nossa música, muito admirado por Tom. Radamés convidou-o para reger esta Orquestra numa noite carioca e Tom, muito nervoso (afinal nunca tinha regido sozinho uma orquestra, tampouco uma cheia de músicos renomados), fez lá seus errinhos e ficou branco como a neve. Um tempo depois, os dois recordaram-se da noite, e Radamés disse:
"Tom estava na fossa e eu também já havia passado por essa fossa. Ela foi me pedir conselho e eu disse: "Tom, ninguém vai te ensinar nada. Isso também já aconteceu comigo. Deixa sair o que tem dentro de você, e ponto. É só isso. Se você ficar prendendo, não vai acontecer nada. Não precisa procurar ninguém, porque ninguém vai te ensinar coisa nenhuma."
Bom final de semana a você!
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